Com o intuito descontraído, no entanto, sério. Ao mesmo tempo, satírico, onde os pormenores da vida podem ser vistos de modo lúdico, para não dizer, utópico. Falaremos do que quisermos, sem censura, abertamente, de forma escrachada, quebrando paradigmas, dogmas, traumas, conceitos estabelecidos e verdades absolutas. Obviamente, com um linguajar moderado, mas não rodeado de pudores. Pessoas criativas, inteligentes, sarcásticas, satíricas, líricas, irônicas. Sejam bem-vindas!

quarta-feira, 14 de março de 2007

2006. O ano em que eu morri...

Todo final de ano é mesma coisa. Natal, reveillon, correria nos shoppings, bombardeio da propaganda, seja por meio televisivo, radiofônico ou impresso, enfim.

Nas empresas, as que valorizam e respeitam seus funcionários, ao menos, tentam amenizar o massacre anual com cestas de Natal e um enfadonho happy hour, ou seja, hora feliz, em bom Português, aquela velha festinha com muito refrigerante e nada de álcool, pois, patrão tem que dar o exemplo. Mas, não me levem a mal, já que, a moda agora é adotar estrangeirismos à língua, mas isso não vem ao caso, é uma questão de dominação. Voltando ao assunto, nas empresas que não se respeitam, nem a seus "colaboradores" (como dizem hoje em dia, só para o peão se sentir parte integrante), pagam o ameaçado de extinsão, décimo-terceiro, em atraso e completam o período de festas com um hipócrita sorriso amarelo e um tapinha nas costas desejando-lhe "feliz Natal, feliz Ano Novo", a torto e a direita.

Mas, onde eu quero chegar com essa rodeio todo? É que eu detesto final-de-ano, se pudesse, me refugiava lá nos confins do Judas, onde televisão não chegasse, nem celular tocasse. Sabe por que? Por quê hipocrisia não é só nas empresas não! Está em todo lugar! Na família, na faculdade, na padaria. E o pior, fico mais irritado quando começam a me perguntar o que eu vou fazer, para onde eu vou, se já comprei os presentes. Oras, presente se dá em qualquer época do ano, não só quando a mídia incentiva! Mas, bola pr'a frente.

2005, última semana, aquela agitação, eu, estressado e pensava: "ano novo que nada, é tudo a mesma coisa, segunda-feira tem trabalho, só muda a data, o salário é o mesmo, ainda tem dívidas do ano velho, nem consegui fazer tudo, nem tive grana." Mal sabia o que me aguardava.

O Natal foi tranqülio, em casa. Mas reveillon foi quem me trouxe a surpresa. Na época, estava passando por problemas no relacionamento, então, fui à ilha estar com os amigos de fé, irmãos-camaradas. Na volta, 31 de dezembro, peguei um ferry-boat (olha o estrangeirismo aí, de novo) com destino a Salvador, estava cansado da viagem. Mas, por insistência (muita), de minha companheira, acabei por atender seu desejo e fomos à praia de Stella Mares curtir a virada.

Eu, sentado na mesa, cochilava, tipo minha vó quando assiste tv e fica deixando o pescoço cair para a frente. Pois é. Até aí, tudo bem! Passou-se a meia-noite. Até aí, tudo bem! O problema foi na volta para casa, prossegui meu itinerário tranqüilo e estava prestes a chegar em casa, faltava coisa de 1,5 km.

Não sei precisar a hora exata, mas acredito, morri por volta dos primeiros quinze minutos, da primeira hora, do primeiro dia, de 2006.